22 Maio, 2012

Um poema da minha cacimba



GALOPE DAS PALAVRAS


Da palavra da nova poesia
Ao orgasmo do ser em criação
Do poder do dom da adivinhação
Ao mistério do pão de cada dia.
Cada verso que o Deus Poeta cria
Voa ao vento rumando seu reinado
Um romance, e seu fim inesperado
Uma estrofe sedenta pela história
Finalmente se apaga na memória
Nos dez pés de martelo agalopado.

O sertão na mais pura quietude
Trás escombros de um verso submerso
Pelos leitos dos rios do universo
Moram rastros de paz e plenitude.
Cada ser tem no gene da virtude
Seu retrato de feitos do passado
E o futuro do verbo conjugado
Mostra a senha da tal felicidade
Que algum dia fugiu da nossa idade
Nos dez pés de martelo agalopado.

Da descrença dos versos marginais
À crendice dos reis do improviso
Mais um canto entoado no impreciso
Abalando pecados capitais.
Pelas formas de sonhos irreais
Me permito este verso sem legado
Não há lógica, não vai pra nenhum lado
Mas imprime um desejo libertário
Saciando um poder imaginário
Nos dez pés de martelo agalopado.

Em São José do Belmonte-PE

Clique na imagem

Um poema de Cancão!


Poeta Marcos Passos declamando um poema de Cancão.

Dias de inspiração! Uma coluna de Thyelle Dias



As histórias, os causos comovidos
Encarnaram nas farpas da madeira
Solitária tem como companheira
A lembrança de vozes e ruídos
Os bruguelos ali adormecidos
Pendurados nos seios da razão
Eram notas compondo uma canção
Que no rádio do tempo se perdeu
Vejo a face esculpida de um museu
“No batente de pau do casarão.”

O batente é uma vida que se isola
Entre as vidas do velho casarão
A braúna que fez sua feição
No viver deste mesmo se imola
Raptada da mata a mesma sola
Os solados dos rastros que se vão
E a cantiga compõe retratação
Dos declives, dos calos, das feridas,
Lá se vão caminhar outras mil vidas
No batente de pau do casarão.

Um improviso do mestre João Furiba!


Foto: Paulo Carvalho

Herança do Pajeú! Uma coluna de Vinícius Gregório




A VIDA


De degrau pós-degrau, bem lentamente
Tem que ser a subida pra vitória;
Pouco a pouco fazendo uma história
Que mais tarde apareça reluzente.
Quem pesar que desesperadamente
Vai fazer dessa vida um paraíso,
Do seu rosto não nascerá mais riso,
Pois a pressa é quem vai lhe derrotar
E a derrota é quem vai lhe rebaixar...
Quem não quer fracassar, ouça esse aviso.

Um verso da gota


Aí certa vez o poeta Zé Viola disse:

Madrugada me responda
Deixe de ser tão cruel
Quem deixou os meus cabelos
Brancos da cor de papel
Me diga o nome da tinta
E a marca do pincel.

Arrepare! Uma coluna de Jessé Costa



BEM DIZER...


Já não faço poesias
Como fiz antigamente
A inspiração que um dia
Dava um pique e “Sai da frente!”
Hoje bem dizer nem voga...
Baiano fazendo yoga
Consegue ser mais pungente!

Belo Jardim, 02/05/2012